Entrevista com CHINGWANGLAO: o Campeão do Leaderboard da WPT Asia Series

Muita gente acha que ganhar um leaderboard é só questão de volume e resistência. ChingWangLao prova o contrário: é sobre estratégia e cálculo preciso.

Para dominar as regras do leaderboard da WPT Ásia, ele trocou mais de uma dúzia de e-mails com o suporte. Para extrair o máximo de pontos, chegou a evitar eventos de fim de semana com grandes garantidos. Em um cenário com ¥150 milhões em prêmios e mais de 1,5 milhão de entradas, o jogador polonês se destacou com uma abordagem extremamente disciplinada e levou o topo do ranking, faturando ¥1 milhão.

A WPT® Asia Series atraiu jogadores de 94 países, com mais de 1,5 milhão de entradas, gerando um impressionante prize pool total de ¥150 milhões.

Do leaderboard com prize pool total de ¥3 milhões, o prêmio principal de ¥1 milhão foi conquistado por ChingWangLao da Polônia.

Nesta entrevista, ele detalha exatamente como construiu essa vitória, da gestão de bankroll ao planejamento de grind, mostrando um caminho claro para quem quer evoluir no poker.

 

Q1: Como foi exatamente o momento em que você confirmou o topo do leaderboard e a conquista do prêmio de ¥ 1.000.000?

A1: O primeiro sentimento foi uma mistura de orgulho e felicidade.

Finalmente pude dizer para mim mesmo que era o melhor em algo.

Com isso, o nível de estresse começou a diminuir e ele foi realmente muito alto durante toda a série.

Inclusive, chegou a um ponto em que precisei pular o último dia de competição por exaustão.

Talvez eu fale mais sobre isso em outro momento. 

 

Q2: Sabemos que o grind de leaderboard é extremamente exigente física e mentalmente. Como você conseguiu manter o foco e evitar o tilt ao longo de uma agenda tão intensa?

A2: Em relação ao desgaste físico, tudo começou com planejamento.

Eu defini previamente quais dias jogaria e quais seriam de descanso, o que me permitiu recuperar um pouco de energia ao longo da série.

Mesmo assim, na última semana, precisei ajustar esse plano e acabei jogando 6 sessões consecutivas, o que foi bastante pesado para a minha saúde.

Manter o foco também foi desafiador, principalmente porque as sessões chegavam a durar entre 16 e 17 horas.

Acho que o fator mais importante foi eliminar distrações externas, estar em silêncio total e sem outras obrigações fez muita diferença.

Ainda assim, é impossível evitar completamente as emoções.

Houve momentos em que eu estava totalmente no controle, mas também situações em que fiquei bastante nervoso e frustrado. 
 

Q3: Na sua visão, qual foi o principal diferencial que levou ao seu sucesso nessa série?

A3: O principal fator foi uma combinação de análise profunda das regras, desenvolvimento de uma estratégia sólida, que foi a parte mais trabalhosa, e o planejamento detalhado de todo o mês.

Cheguei a trocar mais de uma dúzia de e-mails com o suporte para esclarecer pontos específicos.

Logo no início, o mais importante foi decidir rapidamente se eu poderia dedicar um mês inteiro exclusivamente ao grind.

A partir disso, construí toda a estratégia.

Um dos pontos-chave foi entender que, para acumular muitos pontos, eu precisaria jogar de forma mais agressiva durante a fase de re-entry e buscar acumular o máximo de fichas possível, o que exigiria um investimento financeiro relevante.

Por isso, também precisei analisar cuidadosamente quais perdas poderiam ocorrer ao longo da série.

Felizmente, os cálculos estavam corretos.

Como as informações sobre a série foram divulgadas tarde, houve pouco tempo para decisão.

No mesmo dia em que decidi participar, já comecei a jogar.

Também testei estratégias como jogar mais de 7 mesas simultaneamente e alternar o foco entre torneios.

Além disso, defini jogar 4 dias por semana, evitando sábados e domingos, já que os fields eram maiores e menos eficientes em termos de pontos.

As duas primeiras sessões foram difíceis e pouco produtivas.

Mas aprendi com os erros, mantive a estratégia e, a partir da terceira sessão, tudo ficou claro, foi quando a disputa realmente começou.


Q4: Entre tantas plataformas disponíveis, o que te levou a focar essa série na WPT Global?

A4: Atualmente, jogo cash games na WPT Global e costumo acompanhar o site para ver boas promoções.

Foi exatamente o que aconteceu dessa vez.

Os valores elevados dos prêmios foram um grande fator de motivação.

Além disso, já tenho experiência com rankings, inclusive fiquei em 2º lugar em um ranking anual há dois anos.

A combinação de premiações altas e a duração de um mês da série foram decisivas para minha participação.
 

Q5: Como campeão, como você avalia sua experiência com o aplicativo da WPT Global?

A5: Aqui eu tenho algumas ressalvas importantes.

O software apresenta travamentos frequentes, especialmente ao jogar com 7 mesas abertas.

Abrir o lobby de um torneio costuma causar congelamentos por alguns segundos.

Além disso, muitas vezes o lobby correto nem abre.

Durante as re-entries, também há atrasos significativos.

Esses problemas já foram relatados anteriormente, inclusive no Discord.

E não é uma questão do meu computador, outros jogadores com máquinas boas enfrentam os mesmos problemas.

Isso também acontece nos cash games.

São pontos que precisam ser melhorados.


Q6: Como você avalia o ecossistema atual da WPT Global? 

A6: Na minha opinião, atualmente o ecossistema da WPT é o melhor entre as plataformas disponíveis.

Por outro lado, tenho notado o surgimento de bots, e acredito que o combate a esse tipo de problema deveria ser ainda mais forte.

 

Q7: Quais foram suas principais observações sobre o estilo de jogo dos jogadores nessa série asiática?

A7: Os jogadores asiáticos costumam ter um estilo próprio de jogo.

Como eu jogo cash games na WPT diariamente, já estou bastante acostumado com esse perfil, então dificilmente algo me surpreende hoje em dia.
 

Q8: Para jogadores que querem seguir um caminho parecido e performar bem em leaderboards, qual seria o principal conselho?

A8: É uma pergunta difícil de responder de forma direta.

Acho que, para iniciantes, o mais importante é entender bem como esses rankings funcionam.

Acima de tudo, é fundamental ganhar experiência.

Uma boa forma de começar pode ser participando de rankings semanais, quando disponíveis.

Também é essencial avaliar com clareza o que você pode bancar, porque participar de uma série desse nível é um grande desafio logístico e financeiro.

Q9: Mesmo com esse volume intenso de jogo, você ainda encontra tempo para revisar mãos? Em que aspectos do seu jogo está focando atualmente?

A9: No momento, estou mais focado em cash games.

Eu realmente gosto muito de jogar MTTs e me sinto muito bem nesse formato, por isso decidi participar desse festival.

Mas, para alcançar resultados realmente expressivos, é necessário dedicar bastante tempo ao estudo.

Atualmente, eu diria que estudo pouco ou em um nível mediano.

Depois dessa vitória, isso deve mudar, provavelmente vou me dedicar mais à análise e evolução do meu jogo.
 

Q10: Como você lidou com a pressão mental e financeira, especialmente considerando os inevitáveis downswings?

A10: Nesse caso específico, eu não tive grandes problemas com downswings.

Logo no início, eu calculei quanto poderia perder ao longo da série e estava totalmente consciente desse cenário.

Eu partia do princípio de que precisava terminar pelo menos no top 3 do ranking.

No final das contas, minhas perdas foram cerca de 2,5 vezes menores do que o que eu havia previsto.

Acredito que, no pior cenário possível, seria como se eu tivesse trabalhado o mês inteiro “de graça”.

 

Q11: Como você pretende utilizar o prêmio de ¥ 1.000.000?

A11: Uma parte desse valor será destinada ao crescimento do meu bankroll.
Outra parte provavelmente será direcionada para investimentos ou para garantir mais segurança financeira no futuro.
E, claro, uma pequena parte será usada para comemorar com amigos.
Neste momento, não pretendo subir de stakes, a ideia é continuar evoluindo dentro dos limites atuais.
 

Q12: Como profissional, como você conseguiu equilibrar carreira, vida pessoal e o volume exigido por esse leaderboard?

A12: Jogar durante um mês inteiro torna praticamente impossível equilibrar com a vida pessoal.

No meu caso, é um pouco mais fácil porque não tenho filhos.

Mas tenho uma noiva que me apoia em tudo, o que faz muita diferença.

 

Q13: Qual você acredita que foi o ROI dessa série?

A13: No final, o resultado foi excelente.

O nível técnico em um festival como esse não costuma ser muito alto.

Eu foco bastante nas fases mais críticas dos torneios.

Além disso, existe a necessidade constante de monitorar o lobby dos torneios.

Com tudo isso acontecendo ao mesmo tempo, é difícil jogar sempre no mais alto nível técnico.

Mesmo assim, considerando o número de torneios que venci, acredito que tive uma performance consistente.
 

Q14: Comparando com outras séries que você já jogou, o que você achou do sistema de pontuação e da estrutura da WPT Global?

A14: Acho que o sistema de pontuação foi muito bem pensado.

Qualquer jogador poderia participar, já que não havia buy-ins extremamente altos na faixa de $2.000–$3.000.

Isso deu uma chance mais equilibrada para todos.

Era possível maximizar pontos jogando todos os dias, mas sinceramente não sei quem conseguiu fazer isso de forma consistente.

Vi alguns jogadores no top 10 que jogaram mais de 25 dias.

A pessoa responsável pela estrutura dessa série fez um excelente trabalho.

 

Q15: Que tipo de melhorias ou novidades você gostaria de ver na WPT Global no futuro?

A15: Neste momento, acredito que o foco principal deve ser resolver os problemas de software.

Isso é o mais importante para os jogadores.

Claro que grandes festivais também seriam muito bem-vindos.